Vergonha é a palavra mais singela para descrever o que se viu sábado no Mangueirão. Não estou dizendo que o Paysandu é superior a ninguém nem que só pode perder se tiver armação, não é isso. O problema foi a postura claramente passiva, e mesmo cínica do time nos minutos finais. Todos viram a apatia que subitamente tomou conta do Paysandu quando o time mais precisava de um gol. Como se tivesse recebido uma ordem de algum lugar, o time não quis mais nada com o jogo nos quinze minutos finais. Nunca se viu um jogo mudar tão rápido.
Qualquer leigo sabe a diferença entre um time que corre, buscando o resultado, e um time que anda em campo, não tem vontade nem de bater laterais e faltas, quanto mais de fazer gols. Mesmo precisando de um gol, não vimos o Paysandu ir à frente, ainda que no desespero, e correndo o risco de sofrer um gol. A partida, que vinha sendo bem disputada, repentinamente virou um treino maçante onde nenhuma das equipes tinha interesse no gol, coisa claramente combinada.
Alguém pode lembrar que se o Paysandu quisesse entregar a partida não teria feito dois gols, não teria atacado etc. Mas existem inúmeros exemplos de armação semelhante no futebol brasileiro, uma delas o célebre jogo entre Moto Clube e Tuna, de 2004, onde a Tuna se deu ao trabalho de fazer um gol, mas levou uma enxurrada no final, caindo de sete. Mesmo a apaixonada imprensa paraense até hoje não perdoa a Lusa e a acusa abertamente de ter combinado o resultado. Existem ainda inúmeros outros casos em que um dos times marca o primeiro gol para dar aparência de seriedade, e logo depois sofre a “surpreendente” virada. Estamos cheios de exemplo nas diversas séries do brasileirão, nas disputas de título, na briga pelo rebaixamento. O fato de marcar gols não significa seriedade. De que adiantou o Paysandu jogar sério setenta e cinco minutos e fazer o que fez nos quinze minutos finais?
É a terceira vez que vemos o Paysandu agir desta forma indigna na gestão de Luiz Omar Pinheiro. A primeira foi ano passado, em situação semelhante a esta, abrindo na semifinal do 2º turno achando que o rival iria derrotar o São Raimundo e chegar à finalíssima. A segunda vez foi mês passado, em outro re-pa da vergonha, onde vimos apatia semelhante à de sábado. Não se trata de menosprezo ao adversário, nem de exagerar as qualidades do Paysandu, mas de denunciar o claro desinteresse do time.
Não é só a gestão desastrosa de Luiz Omar que lança suspeitas. O patrocínio do governo está se revelando nocivo. Ao alardear que está investindo cinco milhões na competição, entre cotas aos clubes, transporte e hospedagem, fica plantada na mente de todos a suspeita de que o governo tem intenções eleitorais de ver um re-pa na finalíssima. Será que depois de tanto investimento o governo ficaria satisfeito com um Santa Rosa x Ananindeua na disputa do título? Lembram do que dizia o secretário de estado na final do 2º turno? Eu lembro: “Foi graças ao patrocínio do governo que tivemos, depois de cinco anos, um re-pa em final de turno”...
O declínio de nosso futebol não é apenas técnico, é também moral. Se não vierem providências, será o fim...
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